“Apagão de mão de obra” será o maior desafio do varejo em 2026, aponta a FCDL-GO
- FCDL GOIÁS
- há 5 dias
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Baixa histórica no desemprego, impulsionada por um mercado de trabalho aquecido, cria disputa acirrada por talentos e ameaça o desempenho do comércio varejista neste ano

O comércio varejista em Goiás e no Brasil inicia este ano enfrentando um "apagão de mão de obra", um desafio que se consolida como o principal entrave para o crescimento do setor produtivo local e nacional. A dificuldade em preencher vagas efetivas, evidenciada por mais de 5 mil postos de trabalho abertos apenas no comércio de Goiás, reflete a realidade de um mercado de trabalho nacional aquecido, mas com escassez de profissionais qualificados.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmam o cenário de pleno emprego, com a taxa de desocupação atingindo a mínima histórica de 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025. Embora o baixo desemprego seja um indicador positivo para a economia, ele intensifica a competição por trabalhadores no varejo, um setor tradicionalmente dependente de grande volume de contratações.
"O que vemos hoje em Goiás é o reflexo claro de um problema estrutural que se estende por todo o país. Com a taxa de desemprego em mínimas históricas, a dificuldade de encontrar e reter talentos se consolida como o maior desafio do setor produtivo em 2026", afirma Valdir Ribeiro, presidente da FCDL-GO. Ele acrescenta: "Precisamos de soluções que vão além do setor, envolvendo políticas públicas que incentivem a formalização e a qualificação."
Rafael Gonçalves, CEO da Aqualis Soluções (empresa de Goiânia que distribui produtos de limpeza e higiene e de estética automotiva), diz que já não sabe mais o que fazer para preencher as oito vagas disponíveis há meses na companhia. São oportunidades para auxiliar de almoxarife, televendas, almoxarife, vendas internas, vendas externas, departamento fiscal e auxiliar administrativo. “Parece que as pessoas não querem mais ter aquele compromisso de comparecer à empresa, cumprir uma carga horária e ter um vínculo formal”, lamenta Rafael.
Causas para a escassez de profissionais
Numa situação inédita, nesta reta final de 2025 o varejo goiano deixou de lado as contratações temporárias para focar em contratações efetivas, buscando ocupar milhares de vagas abertas para cargos como operador de caixa, atendente, estoquista e vendedor. Passaram as demandas da Black Friday e do Natal, e a maior parte das vagas segue disponível.
O presidente da FCDL-GO, Valdir Ribeiro, concorda com especialistas e líderes do setor no entendimento de que a escassez de mão de obra é multifatorial, sendo agravada por tendências como o envelhecimento da população, o surgimento de novas profissões e as mudanças no conceito de vida e trabalho pós-pandemia.
Uma das propostas levantadas pelo setor produtivo para mitigar o problema é a revisão das regras de programas de transferência de renda. A sugestão é que o governo flexibilize as normas para permitir que os beneficiários possam trabalhar formalmente sem a perda imediata dos auxílios, especialmente nos primeiros meses de contrato, incentivando assim a reinserção no mercado de trabalho formal.
Fonte: Assessoria de Comunicação/FCDL-GO





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