Influência asiática ganha espaço no Brasil e movimenta mercado de consumo
Com 76% dos brasileiros interessados no universo, movimento influencia hábitos que vão da beleza à gastronomia

Não existe um único motivo que explique a expansão da cultura asiática no Brasil. Doramas, animes e K-pop ajudam a impulsionar esse movimento, cada vez mais forte, com as redes sociais dando mais alcance a esse interesse. O reflexo já aparece no varejo, com marcas asiáticas ganhando espaço no País, enquanto empresas brasileiras passaram a incorporar itens e categorias relacionados a esse universo aos seus portfólios.
Esse interesse é confirmado por uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. No recorte coreano, 76% dos brasileiros têm interesse ou curiosidade pelo tema. Entre os entrevistados, 36% afirmam ter passado a consumir novas marcas, 29% mudaram hábitos relacionados à beleza e 19% adotaram um novo estilo de se vestir. Além disso, 29% compram produtos relacionados a essa cultura pelo menos uma vez por mês.
“Quando olhamos para o crescimento do interesse pela cultura coreana no Brasil, não estamos falando apenas de uma tendência de entretenimento. Existe uma construção de percepção que passa pela música, pela moda, pela beleza, pela gastronomia e pelo comportamento”, explica Paula Kodama, especialista em branding e CMO da Nowa Company.
Para a especialista os números ajudam a demonstrar algo que vai além da popularidade de determinados produtos ou tendências.
Do feed para a compra
A viralização em redes como o TikTok tem impulsionado o interesse nesse segmento, principalmente entre a geração Z. Formatos como reviews, unboxings, testes, tutoriais e recomendações de criadores ajudam a aproximar esses itens do cotidiano das pessoas.
“O consumidor não vê apenas o produto, ele entende como usar, acompanha a experiência de outras pessoas e encontra novas referências a partir daquele conteúdo”, explica Gustavo Mondo, líder de categoria do TikTok Shop no Brasil.
O conteúdo desperta curiosidade, a comunidade passa a experimentar e reinterpretar aquela tendência e, a partir daí, novos produtos e hábitos podem entrar no radar de públicos cada vez mais amplos. Atualmente, 57,8% dos usuários concluem compras diretamente na plataforma após descobrirem um produto.
Mondo explica que o TikTok Shop reduz a distância entre o momento em que alguém descobre um produto e a compra. A estreia da Bioré, marca japonesa de cuidados com a pele, na plataforma pode ser um exemplo desse movimento.
A empresa combinou conteúdo de criadores, vídeos e transmissões ao vivo para apresentar seu portfólio de skincare e, durante a campanha realizada em agosto, registrou crescimento de 117% no GMV (valor bruto das mercadorias vendidas).
As lives próprias somaram 358 mil visualizações, enquanto o GMV vindo de afiliados cresceu cerca de 160 vezes. O Bioré UV Aqua Rich Watery Essence, principal produto da ação, respondeu sozinho por 25,6% do valor bruto da campanha.
Quando a tendência chega ao mercado
As importadoras também passaram a ocupar espaço nesse mercado, trazendo para o Brasil produtos asiáticos e ampliando o acesso do consumidor a marcas que antes tinham presença limitada no País. Na área de beleza, o interesse inclui itens voltados para cuidados diários e prevenção, com fórmulas e texturas que ajudam a diferenciar a categoria.
“Hoje, a influência asiática já não pode ser considerada apenas uma tendência passageira; ela está se consolidando como parte do cotidiano e do repertório de consumo dos brasileiros”, comenta Melissa Pagliato, head de Marketing da distribuidora BIM.
A companhia tem ampliado seu portfólio de Asian Beauty com marcas como ma:nyo, Skinfood, Needly, Lilyeve, Kundal, W.Dressroom e Sheglam.
“De maneira geral, os produtos que mais se destacam são aqueles que unem uma proposta fácil de entender, benefício visível, embalagem atraente e forte capacidade de demonstração nas redes sociais”, afirma.
Além da beleza
A cultura asiática também começa a ganhar espaço no foodservice brasileiro. O maior contato do consumidor com esses produtos e sabores aumenta o interesse por diferentes categorias e combinações e abre mercado para marcas como a Mixue no Brasil.
“Entendemos que a origem asiática desperta curiosidade, mas não é suficiente para construir uma marca no longo prazo. É fundamental entender os hábitos locais, ouvir o consumidor brasileiro e oferecer uma experiência que faça sentido para esse mercado”, afirma Shu Mei, head de Marketing da Mixue.
Com a proposta de oferecer produtos a preços acessíveis, a marca aposta no País com jingle, identidade visual e o Snow King, mascote global da empresa. O crescimento também está apoiado em produto, preço, eficiência operacional e experiência.
“O nosso objetivo é transformar a curiosidade inicial em recorrência: queremos que o consumidor experimente a Mixue pelo interesse que a marca desperta, mas retorne porque gostou do produto e da experiência”, comenta.
Entre os produtos mais procurados estão dois clássicos globais da Mixue, a Casquinha Mixue e a Limonada Mixue. Ambos tiveram uma ótima recepção desde o início da operação no Brasil.
Na prática, essa influência aparece em lugares como a Liberdade, em São Paulo. O bairro se tornou um ponto de referência para quem busca produtos e sabores asiáticos e reúne opções que vão de miojos e massas a doces e outros alimentos específicos de países como Coreia do Sul, Japão e China.
O varejo de olho na tendência
O interesse despertado pelo entretenimento, somado à presença das redes sociais, ampliou o contato dos consumidores brasileiros com sabores, produtos, marcas e outras referências asiáticas. E o que antes estava mais distante do cotidiano passou a fazer parte dos hábitos de consumo e abriu espaço para empresas de diferentes segmentos.
No varejo, esse interesse já aparece na oferta de produtos e na chegada de marcas asiáticas ao País. Um exemplo é a Ikesaki, que, durante a Beauty Fair, cedeu espaço para a apresentação de marcas sul-coreanas. Montado especialmente para a feira, o quiosque teve como foco lançamentos de skincare das marcas Medicube, Celimax, K-Secret e Elizavecca.
“A proposta é transformar a apresentação dos lançamentos em uma experiência para o público. A Ikesaki traz na Beauty Fair uma experiência do universo asiático e os principais lançamentos de K-Beauty”, diz Edilaine Godoi, Head de Marketing da Ikesaki.
Fonte: Juliana Maria/Mercado&Consumo





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