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FCDL-GO defende ajuste fiscal além da renegociação de dívidas

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura
Alinhada à avaliação do cenário nacional feita pela CNDL, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás propõe, além do Desenrola 2.0, soluções estruturais nas contas públicas para ajudar a restabelecer o poder de compra da população

Governo federal lançou nesta segunda (04) a 2ª versão do programa Desenrola - Foto: EBC
Governo federal lançou nesta segunda (04) a 2ª versão do programa Desenrola - Foto: EBC

Em consonância com o posicionamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) veiculado hoje sobre o lançamento do programa para renegociação de dívidas Desenrola 2.0, a FCDL-GO reitera as ponderações da entidade avaliando que:


O Brasil atingiu em março de 2026 a maior marca de inadimplência de sua história: 74,31 milhões de brasileiros, inclusive em Goiás, estão com contas em atraso, de acordo com o indicador de inadimplência do SPC Brasil e da CNDL. Este contingente representa 44,42% da população adulta, um cenário que trava o consumo, asfixia o varejo e compromete o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).


Diante desse quadro, a FCDL-GO concorda com a CNDL na avaliação do lançamento do Desenrola 2.0 sob as seguintes premissas:


1. A gravidade do cenário e a reincidência


Os números recentes mostram um fenômeno preocupante: a reincidência. Dados do SPC Brasil indicam que mais de 85% dos novos negativados em março já haviam passado pelo cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Isso demonstra que o problema gira em torno da incapacidade de manutenção da saúde financeira a longo prazo.O fenômeno da reincidência evidencia que o brasileiro vive hoje em um equilíbrio financeiro extremamente frágil, onde qualquer imprevisto se torna catastrófico. Com o orçamento doméstico severamente apertado pela inflação de itens básicos, as famílias operam no limite de sua capacidade de pagamento.


Mesmo quando o consumidor consegue limpar seu nome por meio de programas de renegociação, a falta de uma margem de segurança financeira faz com que ele não consiga honrar os novos acordos simultaneamente às contas fixas mensais. Sem uma reforma estrutural que amplie a renda real e promova uma educação financeira profunda, o cidadão acaba preso em um “efeito porta giratória”, onde a quitação de uma dívida antiga é rapidamente substituída por um novo atraso, perpetuando o ciclo da inadimplência.


2. O risco do uso do FGTS e a necessidade de ajuste fiscal


O governo sinaliza o uso do FGTS como garantia ou meio de pagamento no Desenrola 2.0. A FCDL-GO e a CNDL veem essa medida com extrema cautela. O fundo é a única garantia real do trabalhador em caso de demissão. Comprometer esse patrimônio para quitar dívidas de consumo — sem uma mudança estrutural no comportamento financeiro — pode deixar o cidadão vulnerável em momentos de desemprego, trocando um problema imediato por uma insegurança futura grave.


A estratégia de trocar dívidas caras (como cartão de crédito e cheque especial) por linhas de crédito com juros menores é um passo importante. Contudo, o sistema econômico atual sofre com um problema estrutural. Enquanto o governo continuar gastando mais do que arrecada, a pressão sobre a inflação e as taxas de juros permanecerá alta, anulando os benefícios de renegociações pontuais.


3. Novos hábitos de consumo e pressão digital


Além dos fatores macroeconômicos, o comportamento do consumidor brasileiro tem sido moldado por novas e perigosas pressões que aprofundam o abismo do endividamento. O avanço descontrolado das apostas esportivas e cassinos online (bets) tem drenado fatias consideráveis do orçamento familiar, transformando o que deveria ser lazer em um ralo financeiro que compromete o pagamento de contas essenciais.


Somado a isso, o patamar elevado dos preços de bens de consumo básico força o cidadão a escolhas drásticas, enquanto a pressão estética e social das redes sociais estimula um padrão de consumo aspiracional e imediato. O bombardeio constante de influenciadores e anúncios personalizados cria uma necessidade ilusória de pertencimento, levando o indivíduo a priorizar gastos supérfluos para manter uma aparência digital, em detrimento da estabilidade financeira real. Esse novo hábito de consumo, movido pelo imediatismo e pelas apostas, é um dos pilares mais difíceis de combater, pois atua diretamente no gatilho emocional do consumidor.


Para a FCDL-GO e a CNDL, qualquer programa de renegociação será apenas um “alívio momentâneo” se não for acompanhado de um ajuste fiscal rigoroso. Sem equilíbrio nas contas públicas, a confiança do mercado não se estabelece, os juros não caem de forma sustentável e o poder de compra da população continua corroído. Além disso, é fundamental projetos de educação financeira robusta, onde o brasileiro consiga gerir seu orçamento para evitar que ele retorne ao cadastro de inadimplentes em poucos meses.


A FCDL-GO e a CNDL reconhecem a importância de o Governo Federal priorizar o endividamento das famílias, mas alertam que o país não pode viver de “pacotes de bondades” eleitorais ou sazonais. O Desenrola 2.0 corre o risco de ser uma medida de efeito imediato que não resolve o problema a longo prazo. O Brasil precisa de um ambiente econômico estável, menos burocrático e focado na responsabilidade fiscal para que o cidadão volte a ter dignidade financeira.


Fonte: Assessoria de Comunicação/FCDL-GO (com informações da CNDL)


 
 
 

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